sábado, 7 de junho de 2008

Recarga artificial de aqüíferos: sobre-explotação e escoamento superficial

Um aqüífero pode ser entendido como todo material geológico passível de armazenar e circular água, seja na zona saturada do solo ou nos poros, fraturas/fissuras ou carstes das rochas. Pode ser livre, quando o nível piezométrico [*] é igual ao nível da água, ou confinado quando está limitado superior e inferiormente por formações impermeáveis ou praticamente impermeáveis e o nível piezométrico se encontra acima do nível da água. A recarga natural de um aqüífero ocorre com a infiltração natural da água pluvial em áreas permeáveis, sendo posteriormente, armazenada no solo ou nas rochas.

Embora haja o consenso da importância dos recursos hídricos subterrâneos, principalmente, no que tange o abastecimento urbano, industrial e agrícola ainda existem atividades humanas que causam impactos negativos sobre eles. A falta de políticas de zoneamento, planejamento e ordenamento territorial causam a impermeabilização das áreas naturais de recarga e concentram o fluxo superficial da água gerando problemas como enchentes e inundações. Associado a falta de recarga, causada pela impermeabilização, encontramos a sobre-explotação da água subterrânea que pode causar o esgotamento do recurso inviabilizando-o para posterior utilização.

A recarga artificial pode ser tanto intencional quanto acidental. A recarga acidental ocorre com a incorreta disposição de efluentes em fossas sépticas não impermeabilizadas, infiltração em aterros sanitários e campos excessivamente irrigados, escoamento superficial de áreas urbanas, rupturas em sistemas de abastecimento de água e esgotos ou demais vazamentos.

A recarga intencional refere-se à introdução de água para o interior do aqüífero, seja diretamente através de poços de injeção ou indiretamente através de bacias ou caixas de infiltração. Tem como objetivo aumentar a disponibilidade dos recursos hídricos subterrâneos, melhorar a qualidade da água, restabelecer o nível freático e novas condições de equilíbrio e diminuir o escoamento superficial. Pode-se utilizar água de rios e lagos, água residual resultantes de estações de tratamento, água dessalinizada e água da chuva e de escoamento superficial.



As bacias de infiltração consistem na descarga do escoamento superficial proveniente da precipitação em bacias escavadas no solo. Para seu correto funcionamento alguns fatores são imprescindíveis como solo permeável e presença de uma zona saturada sem camadas impermeáveis. O problema encontrado neste método é a presença de sólidos suspensos na água, pois pode ocorrer o assoreamento e a acolmatação dos poros na base da bacia dificultando a infiltração da água. As caixas de infiltração, também denominadas de poços de injeção passivos, são poços escavados no solo que podem ser revestidos ou não com manilhas furadas ou sistemas de tijolos espaçados preenchidos com areia ou cascalho para facilitar a infiltração da água.

Os poços de injeção constituem uma técnica de recarga artificial onde a água é bombeada diretamente nos poços. São utilizados quando não estão disponíveis zonas permeáveis na zona não saturada e quando os aqüíferos são profundos ou confinados. A tecnologia para implantação e os requisitos de qualidade da água de recarga são mais exigentes do que nos sistemas de recarga à superfície. Dessa forma, utiliza-se água pluvial coletada no telhado de casas, prédios, galpões, etc. devido sua melhor qualidade em comparação à de escoamento superficial.

A recarga artificial de aqüíferos utilizando águas pluviais é uma importante ferramenta para a gestão dos recursos hídricos, principalmente, em locais com problemas de sobre-explotação e impermeabilização de áreas de recarga. Deve ser aplicada juntamente com medidas de outorga, cobrança e monitoramento da explotação. Além de reverter os problemas de sobre-explotação, atua no controle das águas de escoamento superficial. Necessita de cuidado da qualidade da água a ser utilizada para evitar a contaminação do aqüífero.

[*] Nível Piezométrico - É o nível a que a água de um aquífero se encontra à pressão atmosférica. Coincide com o nível freático de um aquífero livre. Em aquíferos confinados, o nível piezométrico está mais elevado que o teto do aquífero, podendo haver zonas onde se situa a uma cota superior à da superfície topográfica.

Por: Portal Brasil Ambiental
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6 comentários:

Paula disse...

Olá Daniel, achei muito interessante esse artigo, mas para mim não ficou muito claro como ocorre a sobre-explotação, pq foi citada rapidamente. Vc poderia me fornecer mais informações a respeito...

P.B.A. disse...

Oi Paula,

A sobre explotação ocorre, basicamente, quando o volume de água retirado do aquífero é maior do que o volume de recarga em um determinado tempo.

Ou seja, se retira a água mais rápido do que a capacidade de renovação.

Dessa forma, o nivel freático tende a abaixar e, dependendo da intensidade, pode acabar "secando" o aquifero até que ele venha a ser recarregado novamente com o tempo.

Se tiver mais alguma duvida pode perguntar.

hayhay__ disse...

3 anos depois e este continua sendo o melhor artigo sobre o assunto. Parabéns.

P.B.A. disse...

Obrigado Hayhay.

Infelizmente estou sem tempo de postar novas informações, mas fico feliz em saber que as pessoas ainda utilizam esse espaço.

P.B.A. disse...

Obrigado Hayhay.

Infelizmente estou sem tempo de postar novas informações, mas fico feliz em saber que as pessoas ainda utilizam esse espaço.

Anônimo disse...

Muito bom!!!

Parabéns

 
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